quinta-feira, 23 de abril de 2009

WiMAX pleno no Brasil só em março de 2010

Rede já existe no país mas alcance do sinal é o mesmo de uma conexão Wi-F

Poucas pessoas sabem - menos ainda usam -, mas o Brasil já tem planos domésticos de WiMAX prontos para navegação sem fio em alta velocidade. O serviço abrange 52 cidades da Grande São Paulo, mas não funciona como em Portland, nos EUA. Há algumas condições ideais que limitam a experiência plena da internet total.

A principal delas é que, se o usuário contratar o serviço da Neovia (a empresa pioneira no WiMAX no País), não pode andar pela cidade conectado. Isso porque o sinal é recebido por um modem fixo e transmite o sinal por no máximo 100 metros, como qualquer Wi-Fi. O sinal WiMAX até é replicado, mas não há aparelhos no País habilitados a reconhecê-lo.

Outro fator limitante é o contrato para um número mínimo de 25 pessoas. Os planos da Neovia são exclusivamente para condomínios. É como se fosse uma "internet por rádio", mas que utiliza o Wimax.

A empresa iniciou as operações em 2002, tão logo venceu, ao lado da Embratel - que também oferece WiMAX, mas, por enquanto, só a pequenas e médias empresas -, a licitação feita pela Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel) para o uso da frequência de 3,5 gigahertz (Ghz).

Os condôminos tem quatro opções de planos entre as quais escolher. A mais em conta oferece acesso banda larga sem fios a R$ 39,90 durante os quatro primeiros meses. Após o período promocional, paga-se a tarifa cheia de R$ 69,90. A Neovia tem apenas 30 mil usuários. O número não impressiona, ainda mais se comparado à penetração de celulares 3G em São Paulo: dados da Cisco e da Anatel indicam serem mais de 500 mil em pouco mais de um ano. O WiMAX real é, ainda, uma promessa para os brasileiros.

Eterna promessa

São ao menos três os motivos que dificultam a disseminação da tecnologia no País. O primeiro - e mais fácil de vencer, conforme garantem executivos da Intel e da Pos-Data, que fabricam equipamentos WiMAX - é a disponibilidade de notebooks e celulares habilitados a receber o sinal. "Só precisamos do apoio da legislação", afirma Cássio Tietê, diretor de expansão de negócios da Intel.

Esta é a segunda e espinhosa razão; depois do leilão de 2002, em que foram compradas apenas 14% das faixas disponíveis para tráfego de dados na frequência de 3,5 GHz, a Anatel não realizou mais nenhum que pudesse contemplar potenciais provedores Wimax.

Já houve outras tentativas. Uma delas foi suspensa em 2006, depois de questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelas operadoras de telefonia. Enquanto o TCU discordava do preço mínimo colocado nas faixas do espectro a serem negociadas, as empresas queriam mudar as regras que as proibiam de comprar novos trechos em suas áreas primárias de atuação.

Com a suspensão da licitação, o processo retornou ao zero. No fim de 2008, novas regras para o leilão de 3,5 GHz foram colocadas para consulta pública até janeiro. Agora espera-se que o Conselho Diretor da Anatel anuncie outra redação de licitação até julho. Com sorte, o Brasil terá WiMAX pleno só em março de 2010.

Fonte: www.bemparana.com.br/index.php?n=105113&t=wimax-pleno-no-brasil-so-em-marco-de-2010

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